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Animais domésticos nos circos (cães, gatos, coelhos, pombas, bovinos, etc)
Baseado em textos de Captive Animals http://www.captiveanimals.org
Muitos conselhos legislativos no Brasil e no mundo que proibiram o uso de animais selvagens em espetáculos de circo não o fizeram aos animais domésticos. No entanto, a observação deles mostra que animais domésticos também sofrem.
Exploração
A relação mais íntima que nós desfrutamos com animais domésticos não é um argumento para o seu uso em circos. A participação deles em espetáculos não é a mesma coisa que brincar com um animal em casa. Nos circos, os números devem obrigatoriamente ser cumpridos, uma vez que há o compromisso do espetáculos anunciado e a rotina não é uma opção.
Não é o fato de que são animais domesticados que faz com possam ser explorados para lucro e divertimento do ser humano. E não é porque não são selvagens que não sofram.
O estresse da rotina
O fato de que animais domésticos possam aprender certos números não significa que estejam dispostos a realizá-los. Os animais de circo vivem a rotina estressante de treinos e ensaios diários, sem poder optar quando querem realizar suas tarefas. Têm ainda que contender com barulho, luzes, espaço limitado improvisado e grupos sociais estranhos, vivendo muitas vezes até junto a animais ferozes.
Graças ao cotidiano cansativo, os animais muitas vezes só se submetem ao treinador sob medo e força. Para isso, adestradores utilizam chicotes e bastões, que são usados quando o animal desobedece. Há casos até de morte durante as próprias exibições.
O confinamento
Os animais sofrem com longas e constantes viagens, sem acesso a água e alimento. Quando instalados, vivem confinados em espaços mínimos, quase sempre improvisados. Coelhos e pombos usados por mágicos vivem amontoados em pequenas gaiolas. Imagens flagradas por sociedades protetoras também revelam cachorros amarrados em carretas sob o sol sem acesso à água ou em gaiolas pequenas por longas horas. Cavalos e pôneis são mantidos em espaços onde mal podem mover-se e, quando aos pares, são amordaçados para não ferirem-se uns aos outros. Bovinos, ovelhas, bodes, porcos e aves também são mantidos em situações semelhantes.
Eqüinos e bovinos são amarrados para pastar em terrenos baldios, muitas vezes, ingerindo lixos e intoxicando-se com substâncias nocivas. Outros animais também geralmente comem no chão, sem cuidados higiênicos. Além de ingerirem substâncias indevidas há também casos em que animais se soltarem ou serem soltos por crianças e provocarem tumulto e riscos no trânsito.
O treinamento
Os métodos de treinamento dos circos para os animais domésticos não são menos violento que os para animais selvagens. Cães, gatos, pôneis, cavalos, caprinos e bovinos são submetidos à força para a realização de seus "números".
Sociedades protetoras já registraram vários flagrantes da violência sofrida por estes animais durante seus treinamentos, captados em vídeos ou fotografias. Cavalos e pôneis sendo violentamente chicoteados até assumirem as posturas e executarem os movimentos exigidos por seus domadores.
Eqüinos e bovinos sangrando ou com hematomas e sendo deixados sem atendimento mesmo depois de confinados novamente em suas celas.
Os números
Relatório divulgado por RSPCA e Captive Animals apontou que ao menos a metade dos cavalos estudados mostrou um comportamento anormal, indicando tensão e sofrimento. No picadeiro, os cavalos e pôneis são guiados firmemente, forçados a arquear o pescoço, de forma que pareça atraente ao público. Ao animal, no entanto, esta é uma posição totalmente antinatural e desconfortável e que, com o passar do tempo, provoca resultados físicos negativos.
Bovinos de uma forma em geral são usados em números semelhantes à rodeios. São montados e irritados para tornarem-se violentos para causar emoção enquanto um "caubói" tenta manter-se sobre os animais. Certos circos. inclusive, desafiam leigos da platéia a montarem em touros "selvagens" do circo em troca de premiação se mantiverem-se durante um determinado tempo montados sobre algum animal. E claro, as "técnicas" para tornar os touros "bravos" são a da violência, de choques e golpes com bastões pontiagudos.
Pombos e coelhos usados nos números de "mágicas" ficam em lugares apertados e escuros até que apareçam para o público. Os pombos não raramente têm as asas machucadas ou quebradas e os coelhos são "tirados da cartola" pelas orelhas, parte extremamente sensível do animal. Não suportando esse tratamento, com o tempo, as orelhas dos coelhos acabam "quebrando".
Além disso, muitos números, além de estressantes e desconfortáveis, expõem os animais ao perigo. Por exemplo, cães e gatos são usados para saltar aros em fogo ou para realizar saltos "mortais". Em 2004, por exemplo, um dos gatos persas que faziam o número de salto de quase 20 metros de altura no Circo Beto Carrero, acidentou-se, caindo fora das mãos do adestrador e morreu. Uma associação protetora tentava proibir o número já há quatro anos. Não se divulga, obviamente, quantos animais podem ter morrido durante ensaios.
Texto cedido pela ONCA - www.onca.multiply.com Copyright © ONCA - Brasil 2005
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